A destilação
da água com líquidos aromáticos é conhecida
desde a Antiguidade. Pensadores como Hipócrates, Galeno e
Plínio escreveram sobre o assunto. Mas somente em 900 a.C.
os árabes inventaram a produção do álcool
por meio da fermentação. É improvável,
entretanto, que isto tenha ocorrido com cereais fermentados no Norte
da Europa, pouco depois dos árabes.
A produção de licores aconteceu depois. No início,
só adocicavam álcoois aos quais, grosseiramente, adicionavam
xaropes e ervas (estas, tanto para dar gosto quanto para fins terapêuticos).
Na Idade Média, o vinho (e mais tarde o álcool) era
o principal anti-séptico. Mas as plantas, raízes e
ervas eram pesquisadas pelos monges para a cura de várias
doenças. Os alquimistas levaram tais pesquisas adiante.
Registros apontam Arnauld de Villeneuve, sábio catalão
nascido em 1240, aproximadamente, como o inventor “das tinturas
modernas nas quais as virtudes das ervas são extraídas
pelo álcool”. Com seu discípulo Ray Lulle, foi
o primeiro a escrever o tratado sobre o álcool e divulgar
receitas de licores curativos. Ao
álcool açucarado eram misturados limão, rosa
e flor-de-laranjeira. Há indícios da adição
de pepitas de ouro às misturas, consideradas panacéias
(remédios para todos os males).
Villeneuve enfrentou problemas com a Inquisição por
suas idéias avançadas. Mas, ao salvar a vida do Papa
com uma poção de vinho, ervas e ouro, livrou-se da
morte. Quando a Peste Negra espalhou-se pela Europa, no século
15, os licores
associados a bálsamos vegetais e tônicos tornaram-se
medicamentos preciosos.
Além da aguardente de vinho, outros álcoois eram utilizados
para fazer licores, tais como o rum. Era comum a fabricação
doméstica de licores e a utilização na cozinha
e confeitaria. Durante o século 19, a indústria da
destilação cresceu. Surgiram no mercado muitas variedades
de licores, e os caseiros começaram a desaparecer.
Os italianos sofisticaram a produção de licores. A
rainha Catarina de Medicis, em visita à Itália, levou
algumas receitas para a França. Luís 14, apreciador
da bebida, deliciava-se com um licor de âmbar e grãos
de anis, canela e almíscar.
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