BEBIDAS
Processo da fabricação da vodka

Variação da Destilação

Triokhpróbnoe vinó - vinho triplamente testado - Vodka obtida pela diluição de 100 baldes de destilado com 33 baldes de água.

Tchetiriokhpróbnoe vinó - vinho quadruplamente testado - Destilado ainda mais aguado e barato. Para cem baldes de "vinho simples" 50 baldes de água eram acrescentados.

Dvukhpróbnoe vinó - vinho duplamente testado Vodka obtida pela diluição de cem baldes do destilado original em 100 baldes de água. Entre as pessoas comuns, tal bebida era considerada "vinho de mulher".

Dvoinóe vinó, dvoennóe vinó, peredvoennóe vinó - vinho duplo - Bebida obtida pela destilação de "vinho simples", ou seja, a bebida produzida na tripla destilação, de raka a "vinho simples" e a "vinho duplo".

Desde o século 18, esse estágio era considerado obrigatório para a boa destilação, que visava obter um produto de alta qualidade. Na destilação efetuada pela nobreza no século 18, e especialmente durante a segunda metade do mesmo, o produto intermediário considerado padrão não era o "vinho simples", mas o "vinho duplo". A "duplicação" foi oficialmente reconhecida a partir de 1751 como uma garantia de qualidade normal e mesmo elementar. Nessa época, o teor alcoólico do "vinho duplo" variava entre 37 e 45% de álcool por peso. "Duplicar" não só aumentava a concentração da bebida como também a sua qualidade geral, eliminando os fatores de contaminação e os sabores indesejáveis.

Troinoe ou troinnóe vinó - vinho triplo - Produto preparado a partir do "vinho duplo", era uma bebida destilada 4 vezes, durante o segundo quarto do século 18 e possibilitada pelo aperfeiçoamento dos aparelhos de destilação. O "vinho triplo" foi usado na produção de vodkas altamente refinadas para consumo doméstico; na prática era sempre acrescido de ervas aromáticas.

O "vinho triplo" em sua forma não diluída possuía um teor alcoólico de aproximadamente 70%. O grande químico Dimitri Ivanovitch Mendeléiev encarava-o como a base clássica para a preparação da vodka através da adição de água.

Tchetvernóe ou tchetverennóe vinó - vinho quádruplo ou bebida quadrupla
Bebida de quíntupla destilação com teor alcoólico de 80 a 82%. Conhecida ao final do século 17, em 1696, era raramente preparada e com objetivos mais científicos e medicinais.

O acadêmico Tobias Lovits obteve todavia a chamada "bebida sem água" com 96% de álcool.

A partir da base da "bebida quádrupla", diversas vodkas foram criadas, inclusives as aromáticas e adocicadas.

Produção da vodka e seu controle

Cereais
Durante séculos o centeio serviu como matéria-prima básica na produção da vodka russa. Desde a década de 30 do século atual, o trigo passou a desempenhar um papel muito maior na produção dos tipos populares de vodka; em tempos de guerra ou de colapso econômico, as batatas e outros produtos agrícolas foram utilizados. Todavia, as melhores variedades de vodka continuam, até hoje, a ser produzidas a partir do grão e do farelo de centeio. Embora o centeio seja a essência da verdadeira vodka russa, o processo também emprega outros cereais - aveia, trigo, cevada e trigo-sarraceno - em proporções variáveis, mas sempre pequenas.Essa base de cereal e, principalmente, o uso do centeio asseguram que a vodka russa seja muito superior à vodka de batata. A vodka russa de centeio não produz efeitos colaterais como uma forte ressaca e não cria um ânimo agressivo no consumidor da mesma forma que a vodka de batata ou, ainda pior, de açúcar de beterraba.

Água
Antes de ser misturada ao destilado, a água sofre uma seqüência de processos de purificação. É deixada em repouso e filtrada através de 2 tipos de areia. Também sofre uma aeração adicional, sendo saturada com oxigênio puro. Em nenhuma circunstância a água é sujeita à fervura ou destilação, como normalmente procedem os produtores de pseudo vodkas em outros países. Esse é um traço distintivo importante da vodka russa e uma das razões de sua superioridade.

Malte
O malte russo sempre foi feito de centeio. O modo como o malte é preparado, especialmente as condições sob as quais os grãos são deixados a germinar, é um fator de importância significativa e mesmo decisiva na qualidade da vodka russa tradicional. Já no século 18 o acadêmico Tobias Lovits e o proprietário de terras e destilador V. Prokopóvitvh estudaram os métodos usados na preparação do malte de centeio para a destilação e formularam recomendações precisas.

Levedo
A destilação russa empregava originalmente o mesmo levedo de centeio usado para assar o pão preto de centeio. Durante o século 18 houve uma mudança geral em favor do uso de levedos de cerveja, que eram mais ativos e aceleravam a fermentação da mistura. A partir do final do século 19, variedades puras especiais de levedo foram preparadas em trabalhos de destilação, objetivando especificamente a produção de vodka, sendo acrescentados ao mosto nos tonéis de fermentação. A maturação correta da mistura e, portanto, a qualidade geral da vodka final dependiam em alto grau da qualidade do levedo.

Fórmulas
A fórmula da mistura, inclusive as proporções de cereal, água, malte, levedo e substâncias aromáticas adicionais, sempre foi objeto de pesquisa e experimentação entre os destiladores russos. O traço mais característico da fórmula russa é, sem dúvida, o acréscimo à base de centeio de qualidades pequenas mas vitais de cevada, trigo sarraceno, flocos de aveia, farelo de trigo e trigo quebrado. Os restos que costumavam se acumular nos moinhos e nas fazendas de grandes proprietários de terras em resultado da utilização de vários grãos.

As diversas misturas preparadas a partir das bebidas destiladas ("simples", "dupla",
"tripla") mostram longo o caminho até se chegar às proporções modernas de destilado e água na vodka, medidas por peso. Passou-se por diversos estágios durante os quais várias experiências foram efetuadas, algumas fracassadas . As experiências tiveram como ponto de partida a prática tradicional grega e bizantina de acrescentar 2 partes de água para uma de vinho e culminaram numa mistura ideal de 40% por peso de destilado puro e o resto, água. Mas essa água precisa ser a água pura, leve, recolhida dos pequenos rios florestais da Rússia e que não pode ser reproduzida em nenhum outro lugar do mundo.

Aromatização
Originalmente usada para ocultar sabores desagradáveis e, depois, simplesmente para acrescentar um sabor interessante, a destilação russa também empregou vários meios de aromatização da vodka herdados das antigas tradições da fermentação do hidromel. Inicialmente, empregava-se lúpulo e ervas. Essa prática acabou conduzindo ao desenvolvimento de um ramo separado da indústria de destilação, criando uma onda de "vodkas aromáticas russas" e licores.